About:TRANSTEC Agosto 16, 2007
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O objetivo desse blog é estimular a discussão dos temas:
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA
PROPRIEDADE INTELECTUAL
A palavra INOVAÇÃO pode ser definida como a transformação do conhecimento em produtos, processos e serviços que possam ser colocados no mercado.
Uma distinção básica entre invenção e inovação é a seguinte: a primeira não tem relevância economica, porém constitui avanço do conhecimento, ao passo que a inovação possui aplicação prática. Percebe-se assim que nem todo avanço no conhecimento tem, necessariamente, implicações na produção, circulação e consumo de mercadorias.
E inovação tecnológica?
Pressupõe além da criação do novo, o aperfeiçoamento também do já existe!
E onde entra a transferência tecnológica?
A transferência é a passagem da invenção no estágio de pesquisa para o mercado. Isso normalmente é realizado por meio de centros de apoio à inovação e há diversas peculiaridades envolvidas!
Ok. Ok. E o que a Propriedade Intelectual tem a ver com isso??
Costumo ver a PI como uma dialética, onde temos:
TESE: a PI é essencial para o desenvolvimento economico.
ANTÍNTESE: a ausência de PI aumenta a circulação de conhecimento.
SÍNTESE: a propriedade intelectual é um instrumento de promoção da inovação tecnológica, dentro do seu devido equilíbrio.
M.
FAQ das patentes! Agosto 15, 2007
Posted by marciadepaula in propriedade intelectual.add a comment
O que é uma patente?
É um meio de garantir exclusividade temporária de exploração sobre uma invenção ou modelo de utilidade* aos detentores do direito sobre a crição (que pode o autor da invenção ou uma empresa que contratou esse pesquisador).
*obs: um modelo de utilidade é uma melhoria funcional (não óbvia) sobre um produto.
O que não é patenteável?
- materiais encontrados na natureza.
- maquinas que desafiam as leis da natureza
- teorias científicas e matemáticas (pois não são invenções, mas sim constatações formais do mundo real)
- planos, regras, métodos, princípios.
Quais as condições?
De modo geral a invenção precisa ser uma novidade, não pode derivar de uma forma óbvia de outra e tem que ser passível de fabricação industrial.
Quais as vantagens?
Incentivar o desenvolvimento econômico através da recompensa ao esforço empregado na construção da invenção.
Impedir a concorrência desleal, onde terceiros utilizem-se da invenção para obter vantagens comerciais sem gastar um centavo!
Qual é a duração?
No Brasil 20 anos ou 15 anos (modelo de utilidade) a contar da data do depósito. Depois desse tempo cai em domínio público.
Existe uma patente mundial?
Não. Ela se limita aos países onde ocorreu a aprovação do depósito de patente. Para cada país é preciso entrar com um pedido, pagar a taxa de depósito e se assim concedida pagar as taxas anuais de manutenção.
É possível uma patente ser quebrada?
Com certeza. Há casos onde o bem privado não pode (e nem deve) prevalecer sobre o bem da humanidade. Isso fica claro em alguns casos dentro da indústria farmaceutica.
Existem outras formas de proteção?
Sim. É o chamado segredo industrial. Na patente para que haja proteção da invenção com relação a terceiros, é preciso que a mesma seja conhecida do público. No segredo industrial a proteção é resguardada pelo simples sigilo. Um exemplo clássico é a fórmula da Coca-Cola®. A vantagem é que enquanto se consegue manter o segredo, manterar-se-á a proteção. Ou seja, esta pode ter um tempo de proteção maio que a patente.
Qual diferença entre licenciamento e royalties?
O licenciamento refere-se a permissão, onde o titular de direito da PI autoriza a terceiros a exploração desse direito. Para isto é estabelecido um acordo (contrato) com as condições dessa exploração (lugar, forma, etc.). Os royalties nada mais são que a remuneração que advem do licenciamento, garantido pelo contrato de licenciamento.
M.
Estudo de Caso: IdéiasNet Agosto 11, 2007
Posted by marciadepaula in estudo de caso.add a comment
Estudo do modelo de negócios da IdéiasNet (http://www.ideiasnet.com.br).
A Ideiasnet é uma holding de participação em companhias de Tecnologia da Informação (TI)
Ok. O que isso significa?
Primeiro, holding significa controlar. Uma holding nada mais é que uma sociedade que participa de outras sociedade com o objetivo de controlá-las. Simples não?
Os motivos que justificam a formação de uma holding são vários. Desde descentralização da administração até redução legal de carga tributária. Uma holding também pode chegar a controlar um capital muito maior do que o seu!
Uma holding de participação é aquela que possui em sua carteira de investimentos além do próprio exercício de controle, participações irrelevantes. É apenas uma diversificação, entendeu?
A Ideiasnet atua na indústria de Private Equity e Venture Capital.
Private Equity é uma opção de financiamento para pequenas e médias empresas. É uma opção a empréstimos “tradicionais” (ex. bancos) que fornecem condições poucos competitivas como taxas de juros altas e curto prazo de pagamento.
Nessa história há três protagonistas:
- os investidores: a fonte de todo o dinheiro! Ajudam a passar confiança ao mercado..
- os administradores do fundo: pessoas experientes, com visão para negócios, finanças, administração, etc. Sabem como fazer uma empresa crescer..
- a empresa: em troca de ser promissora e a longo prazo rentável, ganhará investimento e pessoas experientes que opinarão sobre os rumos da empresa.
Podemos resumir os fundos Private Equity assim:
Os PE são instrumentos que consistem basicamente na reunião de um grupo de investidores, através da criação de um fundo de investimentos, que adquire relevantes participações em pequenas e médias empresas (geralmente de capital fechado), com as quais desenvolvem parcerias ativas, participando da administração e adicionando valor à empresa. No momento em que a empresa atinja maior grau de desenvolvimento, o fundo de Private Equity aliena a sua participação, obtendo os retornos financeiros objetivados para seu investimento.
Para conhecer melhor sobre estatísticas a respeito dos fundos PE no país, aconselho a leitura de [3]. No mercado brasileiro, a expectativa é que o PE se firme como uma das formas de investimento de médio-longo prazo em alta. Para o investidor, é uma opção de risco com elevado potencial de retorno. Para as empresas, pode representar uma fonte de capital necessária para atingir planos de crescimento.
Em resumo: uma mão lava a outra!
A empresa também criou o IdeasVentures para analisar, investir e acompanhar as empresas nos estágios iniciais (Seed, Start-Up e Growth). A função desta sub-holding é agregar valor a estas organizações e vender participações das mesmas quando conveniente para o acionista Ideiasnet.
A Ideiasnet possui suas ações negociadas na Bovespa (“IDNT3”), posicionada como veículo para investimento de longo prazo em TI no Brasil.
Proxima explicação: por que então abrir capital na bolsa se o próprio private equity já serve como captação de recursos?
Continua… =)
Referências:
[1] Lúcio Feijó Lopes. Brasil: terreno promissor para o private equity.
[2] Ruy Kameyama.Visão geral das atividades de private equity
[3] Carvalho, Ribeiro, Furtado. A Indústria de Private Equity e Venture Capital: Primeiro Censo brasileiro.
Indicadores de seleção dos fundos setoriais Agosto 11, 2007
Posted by marciadepaula in inovação.add a comment
Os fundos setoriais (administrados pelo FINEP) são um dos principais instrumentos para o financiamento das atividades de P&D no País, além é claro dos FAP’s.
O intuito deste artigo é discutir os indicadores de seleção dos projetos vencedores dos editais, pois há claramente um certo desbalanceamento em favor da academia em detrimento dos institutos de pesquisa.
Patentear ou Publicar?
As entidades de financiamento de pesquisa no Brasil não consideram a patente como uma forma de publicação e valorização do pesquisador. Em consequencia disso, é mais vantajoso para o pesquisador optar apenas pelas publicações, afinal com um registro de patente este não é bonificado com mais verbas de fomento ou com mais pontos em concursos públicos, por exemplo.
Um problema também encontrado é longo período que se leva para depositar uma patente (anos). Neste mesmo período é mais interessante para o pesquisador optar por publicar vários artigos frutos do trabalho de pesquisa. O retorno é em curto prazo.
É claro que a patente poderá se transformar em um ativo com o seu posterior licenciamento. Mas isto é hipotético e há muitas variáveis que envolvem o sucesso da idéia num produto final. O que o pesquisar quer é a verba de imediato para o seu próximo projeto. Como a patente não concede benefícios deste tipo ao pesquisador, este só publica.
Enfim, como comparar os inúmeros artigos publicados pela academia com um pedido de patente dos institutos? Como tornar a escolha dos projetos vencedores mais justa, dando espaço em igualdade de condições a todos?
Sugestões são bem vindas! =)
M.
Estudo Exame Inovação Agosto 6, 2007
Posted by marciadepaula in inovação.add a comment
“O poder da inovação: o próximo salto na economia e nos negócios depende da capacidade de inovar”. É, a revista Exame do mês de Agosto/2007 mostrou estar antenada ao publicar uma excelente reportagem sobre Inovação. A reportagem é estruturada em Políticas, Entrevista, Perfil, Parceria Gestão e Estratégia. Abaixo alguns trechos da reportagem:
Políticas
(…)
O sociólogo Glauco Arbix formulou com clareza o principal desafio do momento. “Pesquisa básica é uma forma de usar dinheiro e transform-alo em conhecimento”. disse. “Já a inovação é uma forma de usar conhecimento e transformá-lo em dinheiro”.
(…)
Entrevista
O economista William Baumol, tem uma receita para países que buscam o crescimento – é preciso combinar a energia dos empreendedores e a capacidade produtiva das grandes empresas.
(…)
Mesmo hoje as pequenas firmas são necessárias?
Baumol: Sem dúvida, apesar de as grandes corporações concentrarem 70% dos investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. Basta olhar o caso da indústria de tecnologia. Google e Microsoft começcaram como empresas minúsculas, mas olhe o que se tornaram e seu papel na história do capitalismo.
Como uma país como o Brasil pode canalizar a energia inovadora do jeito certo?
Baumol: A primeira coisa a fazer é garantir proteção ao empreendedor com um bom sistema de patentes e um sistema judicial efetivo. também é muito importante que os contratos sejam rigorosamente respeitados. (…) Outra idéia interessante é criar uma agência que facilite a importação de tecnologias. todos os países vivem de tecnologias de outros.
(…)
Perfil
A revista também trás uma reportagem sobre o biólogo e cientista-empreendedor Fernando Reinach, considerado por Paulo Henrique de Oliveira Santos (presidente do fundo de capital de risco da Votorantim) “alguém que consegue entender tanto de ciência como de negócios – qualidades que raramente se encontram na mesma pessoa”. Reinach aponta um “ranço contra o capitalismo” no meio acadêmico nacional. Já as companhia brasileiras parecem achar que inovação não é algo que lhes diz respeito.
Parceria
Inova: Agencia da Unicamp que registra e negocia patentes de descobertas da universidade incuba novos empreendimentos e estabelece parcerias com a iniciativa privada. Nasceu com o princípio de que uma brilhante descoberta registrada e engavetada não vale muito para a univerisade – ou para a sociedade como um todo. “Só o licenciamento das patentes pode transformar o conhecimento em algo que traga benefício para a população”, afirma José Tadeu Jorge, reitor da Unicamp.
(…)
Completando o estudo na quesito Gestão, Exame descreve o exemplo da pioneira Genentech (empresa de biotecnologia) e em Estratégia cita o exemplo de empresas no ramo de T.I. que foram ultrapassadas pelas concorrentes pela incapacidade de inovar.
Por último é mostrado um quadro a cerca dos mitos em inovação:
Por que é tão difícil inovar
Levantamento da Booz Hamilton derruba mitos a respeito da capacidade de inovação das empresas
MITO: Investir em pesquisa traz retorno financeiro
REALIDADE: Não há relação comprovada entre gastos em pesquisa e desenvolvimento e crescimento, lucratividade, valor de mercado, retorno aos acionistas e outros indicadores financeiro.
MITO: Inovação não é privilégio de poucos
REALIDADE:Saber inovar é exceção. Apenas 94 companhias, entre 1000 analisadas pela Booz Allen, mantiveram bons retornos dos investimentos em P&D durante um longo período.
MITO: Empresas maiores investem mais
REALIDADE: Nas 500 maiores empresas do levantamento, os gastos em P&D foram equivalentes a 3,5% das vendas; nas 500 menores, a proporção sobe para 7,6% das receitas
MITO: Patentes são garantia de mais lucros
REALIDADE: A boa notícia é que aumentar o orçamento de P&D pode resultar em mais patentes; a má é que não há relação comprovada entre o número de patentes e a performance financeira.
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Fonte:
http://portalexame.abril.com.br/static/aberto/estudosexame/inovacao_898/m0134333.html